Flexibilidade, conformidade legal e tecnologia redefinem a forma como empresas apoiam o trajeto dos colaboradores
A mobilidade no ambiente de trabalho deixou de seguir um padrão único. Depois da pandemia, modelos híbridos, jornadas flexíveis e a descentralização dos escritórios passaram a ser mais comuns e transformaram a forma como as pessoas se deslocam diariamente.
Sendo assim, benefícios tradicionais, pensados para uma rotina fixa de ida e volta ao escritório, passaram a não atender mais à diversidade de trajetos e necessidades dos colaboradores. Como resposta, as empresas vêm revisando suas políticas e adotando soluções mais adaptáveis.
Esse movimento tem impacto direto na atração e retenção de talentos. Benefícios de deslocamento que acompanham a realidade do colaborador tendem a ser mais valorizados do que modelos engessados, que ignoram mudanças no estilo de vida e no formato de trabalho.
Do vale-transporte tradicional à mobilidade flexível
O vale-transporte continua sendo um direito previsto em lei e cumpre um papel importante para profissionais que utilizam transporte público. No entanto, ele foi concebido para um contexto específico, em que o deslocamento diário ocorria quase sempre pelos mesmos meios. Hoje, essa lógica já não reflete a realidade de muitas empresas.
Com o aumento do trabalho híbrido e remoto, parte dos profissionais passou a usar carro próprio, aplicativos de transporte, bicicleta ou até combinar diferentes meios ao longo da semana. Diante disso, surgiram alternativas que ampliam o conceito de benefício de deslocamento, como o auxílio-mobilidade, que pode coexistir ou substituir o vale-transporte tradicional, aliado a cartões flexíveis.
O que é o auxílio-mobilidade e por que ele ganhou espaço?
O auxílio-mobilidade é um benefício flexível que permite ao colaborador escolher como utilizar o valor destinado ao deslocamento. Em vez de ficar restrito ao transporte coletivo, o saldo pode ser usado para diferentes finalidades relacionadas à mobilidade urbana, como combustível, aplicativos de transporte, táxis ou estacionamentos.
Esse modelo atende melhor a rotinas variadas e reduz a necessidade de reembolsos manuais, que costumam gerar trabalho e burocracia para o RH. Além disso, o auxílio-mobilidade pode ser operacionalizado por meio de cartões multibenefícios, facilitando tanto a gestão quanto o uso no dia a dia.
Cartões multibenefícios e a ampliação dos pontos de uso
A adoção de cartões multibenefícios permitiu que empresas configurassem categorias específicas para mobilidade, mantendo controle e conformidade. Dentro desse modelo, é possível habilitar o uso do saldo em estabelecimentos relacionados ao transporte, respeitando as regras definidas internamente.
Existem diversas empresas que oferecem esse tipo de serviço. Por exemplo, o cartão Flash aceita em posto de gasolina e outros diversos estabelecimentos, desde que essa utilização esteja alinhada à política de benefícios.
O que diz a legislação sobre deslocamento e combustível?
Do ponto de vista legal, o vale-transporte permanece obrigatório para colaboradores que optarem por ele e utilizarem transporte público. Já benefícios como auxílio-combustível ou auxílio-mobilidade são facultativos e dependem de acordo entre empresa e empregado, conforme previsto no artigo 458, § 2º, inciso III da Consolidação das Leis do Trabalho.
A legislação trabalhista permite que valores destinados ao deslocamento não tenham natureza salarial, desde que respeitados os critérios legais. Por isso, é fundamental que as empresas formalizem as regras de uso, definam claramente as categorias do benefício e mantenham transparência na comunicação com o time.
Vantagens práticas para empresas e colaboradores
Para o colaborador, a principal vantagem é a autonomia. Poder decidir como se deslocar reduz custos indiretos, melhora a experiência diária e contribui para a qualidade de vida. Para quem utiliza carro próprio, por exemplo, o apoio com combustível faz diferença no orçamento mensal.
Para as empresas, benefícios mais flexíveis ajudam a reduzir atrasos, aumentar a satisfação e fortalecer a marca empregadora. Além disso, soluções digitais facilitam o acompanhamento dos gastos, a configuração de limites e a adaptação e gerenciamento do benefício conforme mudanças no perfil da equipe.
Mobilidade como parte de uma estratégia mais ampla
A adaptação dos benefícios de deslocamento não deve ser vista como uma ação isolada, mas como parte de uma estratégia maior de gestão de pessoas. Entender o perfil dos colaboradores, acompanhar tendências de trabalho e revisar políticas periodicamente são passos essenciais para manter os benefícios relevantes.
A mobilidade deixa de ser apenas um trajeto físico e passa a representar flexibilidade, confiança e alinhamento entre empresa e colaborador. Benefícios que acompanham essa transformação tendem a gerar resultados mais consistentes no médio e longo prazo.
